sexta-feira, outubro 19, 2007
As trocas do DIBE
Na sequência do Dia Internacional da Biblioteca Escolar, as BE`s do Agrupamento de Escolas de Santa Catarina e a Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha promoveram uma troca de exposições. Assim a "Memória de Outras Infâncias" ficará patente na EBI de Santa Catarina de 22 de Outubro a 5 de Novembro, enquanto a exposição "Ontem Desenhei Princesas" poderá ser vista na mesma data, no espaço da Biblioteca Municipal.
terça-feira, outubro 16, 2007
Os livros velhos cheios de vida
Ter uma biblioteca com "heranças" tem destas surpresas. Ilustrações que nos devolvem o tempo, impressas num papel de má qualidade, imperfeito. Estes são os livros velhos e cheios de vida.
"A Menina Gotinha de Água" de Papiano Carlos, capa e ilustrações de João da Câmara Leme
Portugália Editora - 4 edição, 1977
"A Menina Gotinha de Água" de Papiano Carlos, capa e ilustrações de João da Câmara Leme
Portugália Editora - 4 edição, 1977
segunda-feira, outubro 15, 2007
Bibliotecas deste mundo (em construção)
No próximo dia 22 de Outubro comemora-se o Dia Internacional da Biblioteca Escolar. Aqui ficam alguns links para bibliotecas escolares e não só. Bibliotecas normais, improváveis, esforçadas, apetrechadas, vazias, imaginativas. Porque as bibliotecas também são o reflexo do mundo que temos.
Mala do Livro
Biblioteca Móvel Itapemirim
Biblioteca Volante
Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos da EB1 de Grândola
Biblioteca Escolar da EB 1 nº 4 de Loulé
Biblioteca Escolar / Centro de Recursos de São Romão
Biblioteca Escolar da EB1 de Praias do Sado
Biblioteca EB1 Nº 2 de Massamá
Streams Elementary School
Mala do Livro
Biblioteca Móvel Itapemirim
Biblioteca Volante
Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos da EB1 de Grândola
Biblioteca Escolar da EB 1 nº 4 de Loulé
Biblioteca Escolar / Centro de Recursos de São Romão
Biblioteca Escolar da EB1 de Praias do Sado
Biblioteca EB1 Nº 2 de Massamá
Streams Elementary School
sábado, outubro 13, 2007
Rodinhas, o regresso
O Rodinhas ainda não se apresentou este ano lectivo. Tem andado por outras paragens, que é como quem diz, por outras escolas. Mas promete novidades para breve. Para vos deixar um pouco mais curiosos podemos adiantar-vos já uma novidades: o Rodinhas arranjou dois amigos. O primeiro pertence ao nosso Agrupamento e chama-se Letrinhas. Já o outro meus amigos, está muito longe, muito longe mesmo. Sabem onde fica a Suécia ? Novidades para breve.
quarta-feira, outubro 10, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
A biblioteca vai à tua escola
Já começámos as nossas visitas às EB1`s e JI`s e temos muitas surpresas para vocês. A primeira é uma caixa (a caixa do Rodinhas) com livros para todos. Para levares para casa ou para consultares na tua escola. E vamos também - com a ajuda do teu professor - dar uma arrumação na biblioteca da tua sala, torná-la parecida com a biblioteca do Rodinhas, com etiquetas coloridas nos livros e nas prateleiras para que saibas sempre onde os arrumar. Para terminar vamos contar-te uma história, "O Príncipe com Orelhas de Burro" e ler-te um poema de um livro chamado "O G é um gato enroscado". As capas de ambos estão em baixo, bem como informação relativa aos autores e uma breve descrição dos conteúdos.
O g é um gato enroscado e o príncipe com orelhas de burro
LETRA, PALAVRA
Vasculho no cesto das letras
até encontrar um g.
Continuo a vasculhar
até descobrir um a.
Remexo, remexo, remexo
até encontrar um t.
E lá no fundo de tudo
descubro por fim o o.
Componho então a palavra.
Mas p`ra não ficar sózinha
arranjo-lhe já companhia
formando mais três palavrinhas:
telhado, sol, sardinha.
Poema retirado de "O g é um gato enroscado" de João Pedro Mésseder com ilustrações de Gémeo Luís Editorial Caminho, 2003 ( clica aqui para acederes a um conto deste autor. Lembras-te de "O Aquário" ?
A rainha Regina e o rei Reinaldo queriam desesperadamente ter um filho. Quem havia, depois deles, de reinar naquelas terras ? Por mais que consultassem médicos, bruxas e feiticeiros, não havia meio de concretizarem o seu desejo. Até que finalmente, no dia em que faziam 25 anos de casados, nasceu um principezinho. Era uma criança forte, saudável, encantadora. Vamos chamar-lhe Máximo, porque ele é realmente o máximo! - resolveu o pai, já com longas barbas brancas. A mãe, acariciando o menino com ternura de avó, sugeriu: - Que tal convidarmos umas fadas para o fadarem? (...)
(...) Entraram pela janela aberta e reuniram-se à volta do berço de ouro. - Eu te fado - disse a primeira - , para que sejas o mais belo deste planeta. - Eu te fado - anunciou a segunda -, para que sejas inteligente como ninguém. O real casal estava radiante. Que surpresa maravilhosa lhes reservaria a terceira fada? Esta franziu o nariz. - Com essas duas qualidades, vais tornar-te um convencido... Pois eu te fado para que tenhas orelhas de burro! (...)
Excerto do conto "O príncipe com Orelhas de Burro" retirado de "Contos para Rir " de Luísa Ducla Soares com ilustrações de Sandra Abafa Editora Civilização, 2004.
sexta-feira, setembro 28, 2007
As primeiras entregas
Está tudo a postos e esta será a primeira entrega do novo ano. Uma caixa cheia de livros, coisas de ler, pensar e fazer.
Os que partem, os que ficam
Todos querem partir, ser folheados e lidos por mãos pequenas que querem saber coisas. Mas os livros não percebem os critérios, o que nos leva a escolher entre este ou o outro. Desta vez optámos pelos referenciados pelo PNL. Os outros não ficaram nada contentes e acusaram-nos de descriminação em favor dos "Bonitinhos". Coisas de livros...
As caixas vazias
As caixas vão ficar vazias porque estas EB1`s e JI`s já não pertencem ao agrupamento. O Rodinhas tem saudades de todos os meninos e meninas, pequenos leitores que nos tornavam uma "biblioteca muito viva".
quinta-feira, setembro 06, 2007
Ano Novo Vida Nova
O ano ainda não mudou, ainda se escreve 2007 mas vocês já mudaram.
Se estavam no 1º ano agora irão para o 2º, se estavam no 2º irão para o 3º e por aí adiante até à universidade, isto claro se tudo tiver corrido bem (e se não correu, este próximo ano irá ser melhor concerteza). Já os meninos e meninas do Jardim de Infância, embora não mudando nada, estão mais crescidos e a partir de agora vamos a ver quem manda nos jogos :-)
O novo ano lectivo também trouxe grandes mudanças para a biblioteca.
Passámos a pertencer a um outro agrupamento (Santa Catarina) já que o Escolas em Movimento foi "absorvido e sujeito a reestruturação". Assim algumas das EB1`s e Jardins de Infância passaram para o Agrupamento de Santa Catarina, enquanto outras foram incluidas no Agrupamento de Escolas D. João II. Parece confuso ? - Bem é mesmo confuso, mas isso não nos vai impedir de continuar em contacto e a receber trabalhos vossos, independentemente desta nova divisão. Assim, sempre que quiserem enviar trabalhos ou deixar comentários estejam à vontade.
Nós cá estaremos à espera, à procura das palavras como o Palhaço com Palavras no Nariz, alheios a absorções e reestruturações.
Bom ano amigos.
Se estavam no 1º ano agora irão para o 2º, se estavam no 2º irão para o 3º e por aí adiante até à universidade, isto claro se tudo tiver corrido bem (e se não correu, este próximo ano irá ser melhor concerteza). Já os meninos e meninas do Jardim de Infância, embora não mudando nada, estão mais crescidos e a partir de agora vamos a ver quem manda nos jogos :-)
O novo ano lectivo também trouxe grandes mudanças para a biblioteca.
Passámos a pertencer a um outro agrupamento (Santa Catarina) já que o Escolas em Movimento foi "absorvido e sujeito a reestruturação". Assim algumas das EB1`s e Jardins de Infância passaram para o Agrupamento de Santa Catarina, enquanto outras foram incluidas no Agrupamento de Escolas D. João II. Parece confuso ? - Bem é mesmo confuso, mas isso não nos vai impedir de continuar em contacto e a receber trabalhos vossos, independentemente desta nova divisão. Assim, sempre que quiserem enviar trabalhos ou deixar comentários estejam à vontade.
Nós cá estaremos à espera, à procura das palavras como o Palhaço com Palavras no Nariz, alheios a absorções e reestruturações.
Bom ano amigos.
quinta-feira, julho 05, 2007
quinta-feira, junho 14, 2007
Bookcrossing
Santaninha - Mercado de Troca e Venda
sexta-feira, junho 08, 2007
Semana Santaninha
Na próxima quinta-feira, dia 14 de Junho, teremos connosco a escritora Sílvia Alves.
Para além de editora da revista A Bruxinha (suplemento do jornal Região de Leiria), Sílvia Alves é também autora do livro Coisas de Mãe e esse é o motivo principal pelo qual nos visita.
Já no domingo, dia 17 de Junho iremos realizar a 1ª feira de troca e venda da BE. Na Santaninha (uma feira feita por meninos), será possivel trocar e vender "roupas e brinquedos usados, jogos e cd`s, fruta e bolos, cromos e tazos, livros e dvd`s, coisas úteis e coisas inúteis". A ideia é reutilizar enquanto principio ambiental, a par do reduzir e reciclar. Haverá também uma distribuição de livros a todos os condutores que circularem na estrada Caldas da Rainha/Rio Maior, dentro do espirito do bookcrossing e ainda animação a cargo de "Os Casados" . Por tudo isto a próxima semana é uma semana santaninha.
Para além de editora da revista A Bruxinha (suplemento do jornal Região de Leiria), Sílvia Alves é também autora do livro Coisas de Mãe e esse é o motivo principal pelo qual nos visita.
Já no domingo, dia 17 de Junho iremos realizar a 1ª feira de troca e venda da BE. Na Santaninha (uma feira feita por meninos), será possivel trocar e vender "roupas e brinquedos usados, jogos e cd`s, fruta e bolos, cromos e tazos, livros e dvd`s, coisas úteis e coisas inúteis". A ideia é reutilizar enquanto principio ambiental, a par do reduzir e reciclar. Haverá também uma distribuição de livros a todos os condutores que circularem na estrada Caldas da Rainha/Rio Maior, dentro do espirito do bookcrossing e ainda animação a cargo de "Os Casados" . Por tudo isto a próxima semana é uma semana santaninha.
O Aquário
É que lá dentro viviam outros peixes. Eram três e de cor azul. Mas todos invejavam o vermelho, cujas barbatanas flutuavam na água, como pequenas chamas de seda. Mal a luz da manhã trespassava as largas janelas da sala, as escamas vermelhas ganhavam brilho. Seria por isso que nenhum dos outros peixes queria brincar com ele, que o não deixavam sequer entrar nas suas brincadeiras? Certo é que o peixe vermelho se sentia triste e só.
Todas as manhãs o menino deitava na água um pouco de comida. Os azuis corriam rapidamente, tudo fazendo para serem os primeiros e ficarem com a melhor parte. Depois iam brincar para dentro de uma pequena gruta de pedra, pousada na areia do fundo. Mas se o vermelho ousava aproximar-se, logo os outros lhe barravam a entrada, com cara de poucos amigos. Chegavam a morder-lhe as barbatanas, para de vez o afugentarem.
Por isso quase sempre o peixinho vermelho brincava só. Mas ao fim de algum tempo Aborrecia-se. Não tinha quem o acompanhasse nas corridas. E nadar, nadar depressa, de um lado para o outro do aquário, era a sua brincadeira preferida.
Como apenas comia as sobras dos companheiros, emagrecia a olhos vistos e cada vez se sentia mais triste. Até as escamas vermelhas começavam a perder a cor.
Certo dia, o pai do menino trouxe para casa um novo peixe. Era negro e vinha num saco de plástico cheio de água. Daí a pouco já nadava no aquário. Maior e mais velho que os outros, tinha duas listas vermelhas e brilhantes ao longo do corpo.
Quando viram passar aquela sombra, os três peixinhos azuis assustaram-se, recuaram para a gruta e ficaram à espreita. "Será que aquele grande peixe nos vai morder?", pensaram. "Quem sabe até se não nos irá comer?".
Os dias foram passando e sempre que o menino punha um pouco de comida na água, o peixe negro dirigia-se devagar até à superfície e comia o que tinha na vontade. Os outros ficavam a vê-lo de longe, com os seus olhos pequenos e medrosos. Em seguida o peixe negro retirava-se para um canto e parava a repousar. Só depois os azuis iam buscar a sua parte. Por último, aparecia o vermelho. Mas o que sobejava era pouco mais do que nada.
Certa manhã, o novo habitante do aquário nadou vagarosamente até junto de uma concha cor-de-rosa. Era aí que o peixinho vermelho costumava descansar. O peixe negro abriu a grande boca cinzenta e soltou uma enorme bolha de ar:
- Nunca falámos um com o outro – disse -, mas tenho reparado que és o último a comer e que estás cada vez mais enfezado.
Sem desviar os olhos da grande boca cinzenta, o peixinho vermelho respondeu:
- É que só me calham as migalhas que sobram, senhor peixe. Mas se assim não for, os outros mordem-me.
O mais velho disse então:
- Pois bem, amanhã vens comigo. Depois podemos brincar no outro lado do aquário. Lembras-te da concha branca, pousada junto à gruta? É para lá que vamos. E não te esqueças: a partir de agora passas a tratar-me por tu.
Na manha seguinte, a mãe do menino subiu as persianas da sala e a luz do sol invadiu de novo o aquário. Lentamente como era seu hábito, o peixe negro dirigiu-se para o lugar onde a comida costumava cair. O peixinho vermelho foi no seu encalço e dessa vez comeu sem receio. Depois, seguiu o seu novo amigo. Mal refeitos da surpresa, os azuis olhavam aqueles dois de longe, boquinhas abertas e olhos pasmados.
Passados dias, já o pequeno peixe vermelho engordara um pouco, e nadava agora de um lado para o outro, ao lado do companheiro. Quase sempre ganhava as corridas, porque o peixe negro era mais velho, mais lento e mais pesado. Quando desciam até junto da concha branca, divertiam-se a fazê-la balouçar na água ou a levantar pequenas nuvens de areia fina.
Até que, um dia, o peixe grande ficou doente. De manhã, já não vinha até à superfície da água. Ficava num canto do aquário, quase sem se mover, de olhos semi-cerrados. O peixinho vermelho levava-lhe então de comer, coisa que fazia agora sem receios. É que os azuis continuavam com medo. Mas o peixe negro já nem encontrava forças para brincar. Por isso o seu pequeno amigo se sentia outra vez triste. Tinha pena do companheiro e saudades das corridas a dois.
Um par de dias não era passado, quando um dos peixinhos azuis adoeceu e, também ele, deixou de comer. Na manhã seguinte, o mesmo aconteceu com o outro e, depois, foi a vez do terceiro. Faltavam-lhes forças para ir buscar comida e, ao fim de um tempo, o peixinho vermelho deixou de os ver.
Estranhando esta ausência, levou de comer ao seu amigo e depois foi ter com os outros à gruta, ainda a medo. Em deles. já muito fraco, explicou-lhe que estavam doentes e que todos necessitavam de ajuda.
- A culpa foi do peixe grande e negro! – Protestou. – Foi ele que nos contagiou com a sua doença. Tens de fazer com que saia do aquário quanto antes, senão morremos todos.
O peixinho ia dizendo que não era verdade, mas nenhum dos outros se deixava convencer. Foi então buscar-lhes comida e levou-a até à gruta.
- Estamos quase a morrer e tu nada fazes – insistiu outro com a sua voz de peixe muito sumida.
O próprio peixinho vermelho já se sentia doente e começou até a duvidar de si. Mesmo assim, não desistia de ajudar o amigo nem os peixes azuis que lhe queriam mal.
Com as forças que lhe restavam, decidiu então atrair a atenção do menino. Na manhã seguinte, começou a dar pequenos saltos para fora de água. Quando caía, ouvia-se: ploc! ploc!
O menino, que há vários dias andava triste e desconfiado, saiu da sala a correr.
Trouxe consigo o pai que estranhou o comportamento do peixe. E ao deparar com os outros quase imóveis, não perdeu tempo. Com muito cuidado passou-os a todos para uma bacia com água. Depois esvaziou o aquário, lavou-o e desinfectou-o. Em seguida tornou a enchê-lo com água limpa.
No dia seguinte todos se sentiram melhor, menos o peixe negro.
- Estão a ver? Não era por ele estar doente que todos nos sentíamos doentes – disse o peixinho vermelho aos companheiros.
E uma vez mais foi tratar o amigo. Ia agora na companhia dos outros que já tinham perdido o medo. Cada um transportava na boca uma migalha de comida.
- Obrigada, meus amigos – dizia o grande peixe negro. – O meu corpo está gasto e cansado. Se não fossem vocês, que seria de mim?
Pouco a pouco o velho peixe recuperou forças. Ao fim de alguns dias, já nadava devagarinho nas águas limpas do aquário, coçando as grandes barbatanas negras nas pedras e nas conchas.
Os dias passaram. Agora comem os cinco ao mesmo tempo. Quando o peixe grande demora a chegar, todos esperam por ele. Em seguida brincam às corridas ou levantando a areia do fundo.
Por vezes o grande peixe parece adormecer na concha cor-de-rosa. E o peixinho vermelho vai então brincar com os novos amigos. E é vê-los aos quatro na gruta, esgotados de tanto nadar.
"O Aquário" de João Pedro Mésseder com ilustrações de Gémeo Luís DERIVA Editores, 2004
Os Dois Corvos
Num buraco, no sopé da árvore, vivia uma cobra cascavel. Era muito velha e muito grande e, quando chocalhava a cauda fazia tanto barulho que as crianças a ouviam na escola, em Littlerock. Dormia a maior parte do tempo, mas todas as tardes, pontualmente ás três e meia, rastejava para fora do seu buraco, trepava à árvore e olhava para dentro do ninho dos corvos. Se houvesse um ovo no ninho – e normalmente havia – engolia-o de uma vez s, com casca e tudo. Depois voltava a rastejar para o buraco e adormecia outra vez.
Quando a Senhora Corvo voltava da loja, onde ia todas as tardes comprar as mercearias, encontrava o ninho vazio.
- O que terá acontecido ao meu ovinho querido? – dizia, e procurava por todo o lado. Mas nunca o encontrava; e, depois do lanche, punha outro.
Isto já durava há bastante tempo quando, um dia, a Senhora Corvo chegou a casa mais cedo do que era costume e apanhou a Senhora Cobra a engolir o último ovo.
- Monstro! – gritou. – Que estás a fazer?
Falando com a boca cheia, a cobra respondeu:
- Estou a tomar o pequeno-almoço.
E deslizou pela árvore abaixo para dentro do buraco.
Quando o Senhor Corvo nessa tarde chegou de Palmdale, onde trabalhava como ajudante do gerente do armazém, encontrou a mulher muito pálida e esgazeada, a andar de um lado para o outro em cima do ramo fora do ninho.
- O que foi, Amelia? – disse ele. – Estás com um ar doente. Não comeste demais outra vez, pois não?
- Como podes ser tão bruto e tão insensível? – explodiu a Senhora Corvo. – Ando eu a trabalhar para ti que nem uma moura! Quando não estou a trabalhar, a pôr um ovo fresquinho todos os santos dias – fora ao domingo, claro, e nos feriados – duzentos e noventa e sete ovos por ano, e nem um corvozinho me saiu da casca! E tu só me perguntas se andei a comer demais. Quando penso naquela cobra horrorosa, fico toda a tremer.
- Cobra? – disse o Senhor Corvo. – Qual cobra?
- A que comeu todos os meus ovinhos queridos – disse a Senhora Corvo, e desatou outra vez a chorar.
Quando lá conseguiu finalmente explicar o que se passara, o Senhor Corvo abanou a cabeça.
- Isto é grave – disse. – Isto é aquele género de situação em que alguém vai ter de fazer alguma coisa.
- Porque é que não vais lá abaixo ao buraco da cobra e a matas? – perguntou a Senhora Corvo.
- Não sei porquê, não me parece lá muito boa ideia – respondeu o Senhor Corvo.
- Abraão, estás com medo! – disse a Senhora Corvo.
- Com medo? – repetiu o Senhor Corvo. – Nunca disse que estava com medo. Só disse que não me parecia que a tua ideia fosse muito boa. As tuas ideias raramente são boas, já agora. É por isso que vou falar com o meu amigo Mocho. O Mocho é um pensador. As ideias dele são sempre boas.
E voou para o choupo alto do jardim do Senhor Yost, onde vivia o Velho Mocho. O Velho Mocho, que trabalhava no turno da noite e dormia o dia todo, acabava de se levantar quando o Senhor Corvo lhe bateu à porta.
- Entra, Abraão – disse. – Desculpa estar ainda de chinelos.
O Senhor Corvo sentou-se e, enquanto o Velho Mocho fazia a barba e penteava as penas, contou-lhe a história toda.
- Bem – disse o Velho Mocho, quando ele acabou – só há obviamente uma coisa a fazer.
- O quê?
- Espera e verás.
E com isto o Velho Mocho abriu a porta e voou para o meio do campo de alfafa do Senhor Yost, que tinha sido regado nesse dia e ainda estava bastante molhado.
- Oh, isto está cheio de lama – disse o Senhor Corvo, quando aterrou ao lado do amigo.
- Abraão, falas demais – disse o Velho Mocho. – Bico calado e faz exactamente o que eu fizer.
Dizendo isto, apanhou uma mão-cheia de lama e pôs-se a moldá-la para ficar com a forma de um ovo. O Senhor Corvo fez o mesmo e, quando acabaram, o Velho Mocho voou para o telhado de casa da Olivia, para a chaminé que vinha da sala de estar.
O fogão estava aceso e a chaminé muito quente. O Velho Mocho pôs os dois ovos numa lata velha e a lata em cima da chaminé.
Depois os dois amigos voaram para casa do Mocho e jantaram.
Quando acabaram de lavar os pratos e de ouvir o concerto na rádio, eram dez da noite e a lua brilhava por cima das montanhas.
- Acho que os ovos já devem estar cozidos – disse o Velho Mocho.
E lá voaram outra vez para a chaminé e, claro, os ovos de barro estavam cozidos por dentro e por fora e duros como pedras.
- De que cor são os ovos da tua mulher? – indagou o Velho Mocho.
- Verdes claros – disse o Senhor Mocho – sarapintados de preto.
- Ainda bem que a Siggy tem andado por aqui a fazer umas pinturas em casa – disse o Velho Mocho. E, pegando na lata com os ovos, voou para a mesa que estava no jardim, ao pé da porta da cozinha, onde havia vários vasos com tinta e pincéis. Depois de pintarem os ovos de forma a parecerem exactamente ovos a sério, o Velho Mocho e o Senhor Corvo puseram-nos a secar em cima da chaminé e depois, por volta da meia-noite, quando a tinta estava bem seca e rija, voaram para o velho álamo onde a Senhora Corvo esperava, impaciente.
- Então – disse ela – qual de vós decidiu ir lá abaixo ao buraco matar a cobra?
- Nem um nem outro – disse o Senhor Corvo.
- Nem um nem outro? – gritou a Senhora Corvo. – Então são duzentos e noventa e sete dos meus ovinhos queridos que têm de desaparecer pela goela da cobra horrorosa? E hei-de eu ter este desgosto terrível em cada dia que passa e para sempre?
- Amelia – disse o Senhor Corvo – falas demais. Bico calado e sai-me do ninho.
A Senhora Corvo fez o que lhe mandavam e o Velho Mocho tirou os ovos da lata e pô-los no ninho.
- Para que é isso? - perguntou a Senhora Corvo.
- Espera e verás – disse o Velho Mocho.
E dizendo isto voou para Llano, onde tinha encontro marcado com um amigo para irem à caça.
Na tarde seguinte, a Senhora Corvo foi à loja como sempre fazer compras. Enquanto ela estava fora, a Senhora Cobra acordou e, como tinha fome, deslizou para fora do buraco, pela árvore acima, e ao longo do ramo para o ninho do Senhor e da Senhora Corvo.
- Dois ovos, hoje! – disse ela – mnham-mnham. E deu um estalo com os beiços, porque a mãe não lhe tinha dado educação e ela não tinha maneiras. Depois lançou o pescoço para a frente engoliu os dois ovos inteiros, primeiro um e depois o outro. Depois disso estendeu-se no ramo ao sol e pôs-se a cantar uma cantiguinha.
Não consigo voar – por asas não ter
Não consigo correr – por pernas não ter
Mas posso bem rastejar até onde
Está o corvo negro a cantar
E comer-lhe os ovos às pintas ha ha
Comer-lhe os ovos às pintas
De repente, parou.
- Os ovos deviam ter uma casca mesmo grossa – disse para si. – Normalmente partem-se antes de me chegarem ao estômago. Mas desta vez parece que é diferente. E logo começou a ter uma dor de estômago mesmo horrível.
- Au – dizia – uu, ai, ii.
Mas a dor de estômago era cada vez pior. A Senhora Cobra contorcia-se e retorcia-se e remexia-se e revolvia-se. E remexeu-se e revolveu-se tanto ou tão pouco que, sem saber o que fazia, deu com o pescoço um nó corredio à volta de uma ramada e não conseguiu desfazê-lo. Mas ainda tinha a cauda livre, e continuou a dar à cauda para um lado e para outro.
Não consigo voar – por asas não ter
Não consigo correr – por pernas não ter
Mas posso bem rastejar até onde
Está o corvo negro a cantar
E comer-lhe os ovos às pintas ha ha
Comer-lhe os ovos às pintas
E dava à cauda furiosamente e deu tanta volta e reviravolta naquelas complicadas convulsões que acabou por dar um nó muito apertado com a cauda à volta de outro ramo da árvore. E assim ficou, e quanto mais queria libertar-se mais apertava o nó. E os ovos de barro lá nas entranhas dela faziam-lhe uma dor de estômago absolutamente lancinante. A Senhora Corvo acabou por voltar da loja e, a princípio, quando viu a cobra, assustou-se. Mas assim que percebeu que ela estava toda emaranhada, sentiu logo muita coragem e pôs-se a dar à cobra um grandessíssimo sermão sobre a maldade que é comer os ovos das outras pessoas.
Desde então, a Senhora Corvo chocou já quatro famílias de dezassete crianças.
E usa a cobra como estendal, onde pendura as fraldas dos corvos pequeninos.
"Os Dois Corvos " de Aldous Huxley, com ilustrações de Beatrice Alemangna D. Quixote, 2005
terça-feira, maio 29, 2007
A visita do Senhor Blog ao Jardim de Infância da Ramalhosa
O Senhor Blog veio ao nosso Jardim de Infância. Ele andava a voar num balão de ar quente e lá de cima viu o nosso jardim e veio cá contar-nos histórias.
O Senhor Blog contou-nos a história do ursinho Newton e a história de uma menina que queria o bacio.
O senhor Blog tinha um bigode muito grande, uma barbicha pequenina e usava uns binóculos grandes para ver as coisas cá em baixo.
Antes de ir embora, o senhor Blog fez-nos um bigode e deixou-nos 3 livros de histórias.
Quando foi embora o senhor Blog tirou o bigode e voltou a ser o Luís.
JI Ramalhosa, registo colectivo
O Senhor Blog contou-nos a história do ursinho Newton e a história de uma menina que queria o bacio.
O senhor Blog tinha um bigode muito grande, uma barbicha pequenina e usava uns binóculos grandes para ver as coisas cá em baixo.
Antes de ir embora, o senhor Blog fez-nos um bigode e deixou-nos 3 livros de histórias.
Quando foi embora o senhor Blog tirou o bigode e voltou a ser o Luís.
JI Ramalhosa, registo colectivo
segunda-feira, maio 21, 2007
Carla Pott # Entrevista 2
Para a nossa segunda entrevista escolhemos a também ilustradora, Carla Pott. Desta vez os entrevistadores não foram só os jornalistas do "Jornalito do Lince", também alguns alunos da EB1 de A-dos-Francos colaboraram na entrevista. A entrevistada diz que "foi a mais gira a que já respondi na vida. Obrigada! Foi mesmo divertido responder. :-) "
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Pott não é um apelido português. De onde vem?
Pott é um apelido holandês. O meu bisavô era holandês e o nome da família começa aí.
Quantos anos tem?
Faço hoje dia 20 de Maio, 34 anos.
Onde nasceu? E onde vive?
Nasci em Moçambique Moçambique mas vim para cá com 3 anos.
Vivo em Cascais há 30 anos.
Qual a sua cor preferida? Porquê?
Não tenho uma cor preferida, acho que gosto muito de todas.
Já pintou com um pincel? Qual é a técnica que gosta mais de utilizar?
Claro! As minhas ilustrações pintadas são em acrílico.
Além do mais sou formada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes, tinha que saber usar um pincel (risos).
Mas vario muito em relação a técnicas preferidas, porque uso muitas, é conforme as fases.
Ultimamente estou a divertir-me muito a pintar com canetas de feltro.
Quando está a trabalhar prefere estar sozinha, ou pode haver alguém a "espreitar"?
Prefiro estar sozinha ou então com amigos ou alguém com quem estou à-vontade.
Enquanto trabalha gosta de ouvir música?
Sim, ouço a rádio o dia todo.
Desde que acordo até deitar-me.
Ou então ouço os meus cds.
Gosta de cantar?
Nem por isso, canto tão mal (risos)
Qual é a sua música favorita?
Varios, actualmente gosto muito de hip hop português como Valete ou Sam the Kid, são os cds que mais tenho ouvido nos últimos meses.
Admiro muito o trabalho deles.
Onde estudou?
Na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e depois fiz duas pós-graduações em Praga, uma em Ilustração na Escola Superior de artes Aplicadas de Praga e outra em Gravura na Escola de Belas Artes de Praga.
Gosta muito de desenhar?
Gosto muito, mas gosto mais de pintar.
Quando uma ilustração não sai bem, guarda-a ou deita-a no lixo?
Normalmente guardo, acho que deitei fora muito poucas ilustrações. Mas guardo, porque temos dias maus e dias bons.
Qual foi o último livro que ilustrou? E o qual foi o primeiro?
O último foi "O Bicharoco que era Oco" editado pela Pena Azul e com texto de uma amiga minha, a Ana Ventura.
O primeiro foi "A flor Rosalina" editado pela EVEREST e texto de Anabela Batista.
Qual foi o livro que gostou mais de ilustrar? Porquê?
Este último porque me deram liberdade total e usei uma técnica nova, mas também gosto muito de um livrinho pequeno que tenho com a espanhola Imaginarium, "E tu como estás?"
Qual foi o livro em que mais se enganou? Foi difícil?
É muito raro enganar-me quando ilustro, mas às vezes sou muito distraída.
O Pedro Pescador deveria ter outro tamanho e enganei-me a fazer o livro todo, ficou maior.
Mas ficou bem, nem tinha reparado, disse-me depois a editora.
Num livro é mais importante a história ou a ilustração? Porquê?
São ambos importantes, são ambos discursos diferentes que servem para comunicar, num livro ambas devem complementar-se e funcionar como um todo.
Já ilustrou a sua casa?
A minha casa não.Fazia muitos desenhos dela quando era pequena.Agora não.
E a sua cara?
A minha cara sim, acho que as minhas ilustrações para crianças têm a minha cara ou os meus olhos, mas faço isso inconscientemente.
Como ficaram?
Pelo que me dizem as pessoas, devem ter ficado bem, pois dizem que as minhas ilustrações têm a minha cara (risos)
Qual foi o livro infantil de que mais gostou?
Gosto de muitos.
Porque utiliza tantas cores nos seus desenhos?
Não sei, é uma coisa minha. Gosto de cores.
Onde se inspira para desenhar?
Em tudo o que vejo e de que gosto.
Sempre quis ter esta profissão?
Sim, nunca quis ser outra coisa.
Quando era pequena a sua professora contava histórias?
Qual foi a que gostou mais?
Contava sim, já não me lembro de todas.
Qual foi o professor de que gostou mais?
A minha professora da primária.A D.Maria Adelaide.
Ainda a encontro muitas vezes.Gosto muito dela.
Se fosse uma personagem de banda-desenhada, qual gostaria de ser? Porquê?
O Homem-Aranha. Sempre foi o meu super herói favorito, e ainda é.
O que faz nos tempos livres?
Muita coisa, vou sair com os meus amigos, vou ao cinema, vou dançar, vou ao ginásio, no Verão faço muita praia.
E adoro fazer compras.
Mas acho que todas as mulheres gostam….
Qual é o seu prato favorito?
A comida da minha mãe J
Qual é a sua cidade preferida?
Lisboa e Nova Iorque.
Qual é o seu clube de futebol?
Não aprecio futebol.
Gosta mais do Inverno ou do Verão?
Gosto muito de Setembro, entre o Verão e o Outono.
Quantos anéis tem nas mãos?
Agora tenho dois,tenho muitos anéis mas vou variando,uso quase sempre dois ou três.
Gosta de cabelos com várias cores?
Gosto.É mais divertido não é?
Gosta mais de filmes de terror, romance ou comédia?
De todos.Gosto muito de ir ao cinema.
O nosso jornal chama-se "O Jornalito do Lince". Já alguma vez desenhou um lince?
Já.
Já desenhou um extraterrestre?
Sim, muitas vezes.
Já andou em cima de um leão? E de outro animal?
Já andei a cavalo.Em cima de um leão só na minha imaginação.
Mas acho que conta não é?
Já se disfarçou de algum animal? Qual? E foi giro?
Não. Que eu me lembre não, mas se me disfarçar vai ser de lobo porque é o meu animal favorito.
Obrigada pela entrevista!
Carla Pott nasceu em Moçambique em 1973. Vive e trabalha em Cascais, Portugal. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 1996, no mesmo ano parte para Praga onde frequenta o primeiro semestre do Atelier de Ilustração e Gravura da Escola Superior de Artes Aplicadas de Praga (UMPRUM), como estudante convidada e sob a orientação do Professor Jiri Salamoun.Em 1997 frequenta o segundo semestre do Atelier de Gravura II na Academia de Belas Artes de Praga sob a orientação do Professor Jiri Lindóvsky.
No ano seguinte trabalha em Cerâmica como artista convidada para a Manufactura Estatal Majolika Karlsruhe na Alemanha onde realiza a sua primeira exposição individual de cerâmica.
Em 1998 inicia a sua actividade como ilustradora que, para além da Pintura, é actualmente a sua actividade principal, colaborando com as revistas Viver com Saúde, Adolescentes, Pais & Filhos e Noticias Magazine. Colabora ainda regularmente com as duas últimas. Em 2000 começa a ilustrar os primeiros livros para crianças dos quais treze já se encontram publicados, trabalhando com editoras portuguesas e também espanholas e, desde então tem vindo a trabalhar em diversos projectos ligados à área da ilustração, serigrafia com o Centro Português de Serigrafia, filme animado e publicidade. Participa e expõe regularmente em exposições colectivas de Ilustração como a Ilustração Portuguesa (na qual está presente desde1999), na 22ª Mostra Internazionale d'Illustrazione per l'Infanzia de Sármede em Itália, e várias outras exposições temáticas e também em colectivas e individuais de Pintura, Cerâmica e Gravura em Portugal, Itália e Alemanha.
Fonte: Ana Oliveira http://ilustrana.blogspot.com/2006_09_01_archive.html
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Pott não é um apelido português. De onde vem?
Pott é um apelido holandês. O meu bisavô era holandês e o nome da família começa aí.
Quantos anos tem?
Faço hoje dia 20 de Maio, 34 anos.
Onde nasceu? E onde vive?
Nasci em Moçambique Moçambique mas vim para cá com 3 anos.
Vivo em Cascais há 30 anos.
Qual a sua cor preferida? Porquê?
Não tenho uma cor preferida, acho que gosto muito de todas.
Já pintou com um pincel? Qual é a técnica que gosta mais de utilizar?
Claro! As minhas ilustrações pintadas são em acrílico.
Além do mais sou formada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes, tinha que saber usar um pincel (risos).
Mas vario muito em relação a técnicas preferidas, porque uso muitas, é conforme as fases.
Ultimamente estou a divertir-me muito a pintar com canetas de feltro.
Quando está a trabalhar prefere estar sozinha, ou pode haver alguém a "espreitar"?
Prefiro estar sozinha ou então com amigos ou alguém com quem estou à-vontade.
Enquanto trabalha gosta de ouvir música?
Sim, ouço a rádio o dia todo.
Desde que acordo até deitar-me.
Ou então ouço os meus cds.
Gosta de cantar?
Nem por isso, canto tão mal (risos)
Qual é a sua música favorita?
Varios, actualmente gosto muito de hip hop português como Valete ou Sam the Kid, são os cds que mais tenho ouvido nos últimos meses.
Admiro muito o trabalho deles.
Onde estudou?
Na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e depois fiz duas pós-graduações em Praga, uma em Ilustração na Escola Superior de artes Aplicadas de Praga e outra em Gravura na Escola de Belas Artes de Praga.
Gosta muito de desenhar?
Gosto muito, mas gosto mais de pintar.
Quando uma ilustração não sai bem, guarda-a ou deita-a no lixo?
Normalmente guardo, acho que deitei fora muito poucas ilustrações. Mas guardo, porque temos dias maus e dias bons.
Qual foi o último livro que ilustrou? E o qual foi o primeiro?
O último foi "O Bicharoco que era Oco" editado pela Pena Azul e com texto de uma amiga minha, a Ana Ventura.
O primeiro foi "A flor Rosalina" editado pela EVEREST e texto de Anabela Batista.
Qual foi o livro que gostou mais de ilustrar? Porquê?
Este último porque me deram liberdade total e usei uma técnica nova, mas também gosto muito de um livrinho pequeno que tenho com a espanhola Imaginarium, "E tu como estás?"
Qual foi o livro em que mais se enganou? Foi difícil?
É muito raro enganar-me quando ilustro, mas às vezes sou muito distraída.
O Pedro Pescador deveria ter outro tamanho e enganei-me a fazer o livro todo, ficou maior.
Mas ficou bem, nem tinha reparado, disse-me depois a editora.
Num livro é mais importante a história ou a ilustração? Porquê?
São ambos importantes, são ambos discursos diferentes que servem para comunicar, num livro ambas devem complementar-se e funcionar como um todo.
Já ilustrou a sua casa?
A minha casa não.Fazia muitos desenhos dela quando era pequena.Agora não.
E a sua cara?
A minha cara sim, acho que as minhas ilustrações para crianças têm a minha cara ou os meus olhos, mas faço isso inconscientemente.
Como ficaram?
Pelo que me dizem as pessoas, devem ter ficado bem, pois dizem que as minhas ilustrações têm a minha cara (risos)
Qual foi o livro infantil de que mais gostou?
Gosto de muitos.
Porque utiliza tantas cores nos seus desenhos?
Não sei, é uma coisa minha. Gosto de cores.
Onde se inspira para desenhar?
Em tudo o que vejo e de que gosto.
Sempre quis ter esta profissão?
Sim, nunca quis ser outra coisa.
Quando era pequena a sua professora contava histórias?
Qual foi a que gostou mais?
Contava sim, já não me lembro de todas.
Qual foi o professor de que gostou mais?
A minha professora da primária.A D.Maria Adelaide.
Ainda a encontro muitas vezes.Gosto muito dela.
Se fosse uma personagem de banda-desenhada, qual gostaria de ser? Porquê?
O Homem-Aranha. Sempre foi o meu super herói favorito, e ainda é.
O que faz nos tempos livres?
Muita coisa, vou sair com os meus amigos, vou ao cinema, vou dançar, vou ao ginásio, no Verão faço muita praia.
E adoro fazer compras.
Mas acho que todas as mulheres gostam….
Qual é o seu prato favorito?
A comida da minha mãe J
Qual é a sua cidade preferida?
Lisboa e Nova Iorque.
Qual é o seu clube de futebol?
Não aprecio futebol.
Gosta mais do Inverno ou do Verão?
Gosto muito de Setembro, entre o Verão e o Outono.
Quantos anéis tem nas mãos?
Agora tenho dois,tenho muitos anéis mas vou variando,uso quase sempre dois ou três.
Gosta de cabelos com várias cores?
Gosto.É mais divertido não é?
Gosta mais de filmes de terror, romance ou comédia?
De todos.Gosto muito de ir ao cinema.
O nosso jornal chama-se "O Jornalito do Lince". Já alguma vez desenhou um lince?
Já.
Já desenhou um extraterrestre?
Sim, muitas vezes.
Já andou em cima de um leão? E de outro animal?
Já andei a cavalo.Em cima de um leão só na minha imaginação.
Mas acho que conta não é?
Já se disfarçou de algum animal? Qual? E foi giro?
Não. Que eu me lembre não, mas se me disfarçar vai ser de lobo porque é o meu animal favorito.
Obrigada pela entrevista!
Carla Pott nasceu em Moçambique em 1973. Vive e trabalha em Cascais, Portugal. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 1996, no mesmo ano parte para Praga onde frequenta o primeiro semestre do Atelier de Ilustração e Gravura da Escola Superior de Artes Aplicadas de Praga (UMPRUM), como estudante convidada e sob a orientação do Professor Jiri Salamoun.Em 1997 frequenta o segundo semestre do Atelier de Gravura II na Academia de Belas Artes de Praga sob a orientação do Professor Jiri Lindóvsky.
No ano seguinte trabalha em Cerâmica como artista convidada para a Manufactura Estatal Majolika Karlsruhe na Alemanha onde realiza a sua primeira exposição individual de cerâmica.
Em 1998 inicia a sua actividade como ilustradora que, para além da Pintura, é actualmente a sua actividade principal, colaborando com as revistas Viver com Saúde, Adolescentes, Pais & Filhos e Noticias Magazine. Colabora ainda regularmente com as duas últimas. Em 2000 começa a ilustrar os primeiros livros para crianças dos quais treze já se encontram publicados, trabalhando com editoras portuguesas e também espanholas e, desde então tem vindo a trabalhar em diversos projectos ligados à área da ilustração, serigrafia com o Centro Português de Serigrafia, filme animado e publicidade. Participa e expõe regularmente em exposições colectivas de Ilustração como a Ilustração Portuguesa (na qual está presente desde1999), na 22ª Mostra Internazionale d'Illustrazione per l'Infanzia de Sármede em Itália, e várias outras exposições temáticas e também em colectivas e individuais de Pintura, Cerâmica e Gravura em Portugal, Itália e Alemanha.
Fonte: Ana Oliveira http://ilustrana.blogspot.com/2006_09_01_archive.html
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